O dia começou com um calor diferente, mais seco, como se o céu estivesse guardando a chuva para outra ocasião. Isabella percebeu logo cedo, ainda antes de sair da cama. Não era apenas o clima. Havia algo no corpo que pedia mais cuidado, mais pausa. Levantou-se devagar, abriu a janela e deixou o ar da manhã tocar o rosto.
A fazenda acordava aos poucos, como sempre. Mas, para ela, cada som parecia mais próximo, mais importante. O mugido distante do gado, o rangido da porteira, o canto insistente de um passarinho no pé de manga. Tudo parecia dizer: fique atenta.
Rafael já estava fora, conversando com Tonico sobre a entrega de ração. Isabella o observou à distância por alguns segundos. Ele gesticulava pouco, mas ouvia muito. Tinha aprendido a ouvir a terra do mesmo jeito que ouvia as pessoas — com paciência.
— Bom dia. — ela disse, quando se aproximou.
— Você acordou diferente hoje. — ele respondeu, sem rodeios.
Isabella sorriu. Não era surpresa que ele percebesse.
— Não é cansaço. — expl