Os dias seguintes chegaram com uma delicadeza quase cuidadosa, como se o tempo tivesse aprendido a andar de mansinho dentro da casa. Nada havia mudado por fora — o terreiro continua o mesmo, o curral seguia exigindo atenção, a seca ainda rondava a terra — mas, por dentro, tudo parecia respirar diferente.
Isabella acordava com uma consciência nova do próprio corpo. Pequenos sinais que antes passariam despercebidos agora ganhavam importância: o cansaço que vinha mais cedo, a sensibilidade ao cheiro do café, a necessidade de parar por alguns minutos e apenas sentar. Não era fragilidade, era adaptação.
Rafael percebia tudo sem que ela precisasse dizer. Passava a mão em suas costas quando a vida mais quieta, oferecia água, diminuía o ritmo sem anunciar. Não perguntava demais. Aprendera que cuidar também era respeitar o tempo do outro.
O segredo entre eles crescia como raiz, invisível, mas firme.
— Ainda não quero contar. — disse, sentada na cadeira de balanço enquanto observava o céu e