A seca chegou devagar, como chegam as coisas difíceis que não querem ser notadas de imediato. Primeiro foi o verde que perdeu o brilho. Depois, o chão que começou a rachar em linhas finas, quase discretas. As manhãs seguiam claras demais, o sol alto cedo, castigando a terra antes mesmo que o dia aprendesse a respirar. Ainda assim, a fazenda crescia. Não em exuberância, mas em inteligência.
Isa adaptou rotinas, antecipou decisões, investiu em reservatórios, refez cálculos. Onde antes se plantava por tradição, agora se plantava por estratégia. Rafael acompanhava tudo, aprendendo com ela o ritmo novo das escolhas difíceis — aquelas que exigem firmeza sem perder o cuidado.
— A terra não tá fraca. — ele disse certa manhã, observando o pasto mais ralo — Ela só tá pedindo respeito.
— Meu avô dizia isso. — respondeu, assentindo — A seca não é castigo, é conversa dura.
Mesmo com menos chuva, os números melhoraram. A produção se manteve estável, os animais saudáveis, os funcionários seguros. Pe