A estrada de volta parecia mais curta, talvez porque agora o caminho estivesse claro por dentro. O carro avançava entre morros e curvas suaves, e a paisagem ia trocando o cinza urbano pelo verde conhecido, como se o mundo se reorganizasse no ritmo deles. Isabella apoiava a cabeça no vidro, observando as nuvens baixas. Rafael dirigia em silêncio, mas era um silêncio diferente daquele da ida — não havia peso, só pensamento assentando.
— Você percebeu? — ela perguntou de repente.
— O quê?
— Que a gente não discutiu nenhuma vez. — disse — Nem antes, nem durante, nem depois.
Rafael sorriu de leve.
— É porque agora a gente não tá defendendo território. Tá cuidando.
Ela assentiu, satisfeita com a resposta.
Pararam no mesmo posto de estrada da ida, quase por instinto. Desceram, esticaram as pernas, compraram água e um pacote de biscoito simples. Sentaram-se no meio-fio, dividindo o lanche como tantas outras vezes tinham dividido decisões difíceis.
— Quando você falou que canta melhor inteiro…