Os dias seguintes foram se encaixando uns nos outros com uma naturalidade inesperada, não havia grandes acontecimentos, nem revelações repentinas. Apenas a vida acontecendo em pequenas doses, como sempre acontecera na fazenda e talvez fosse justamente isso que começava a curar.
Isabella passou a acordar antes do sol com mais frequência. Gostava daquele intervalo breve em que o mundo ainda estava meio adormecido, quando podia caminhar pelo terreiro sentindo a terra fria sob os pés e organizar os pensamentos antes que o dia exigisse decisões. Às vezes levava uma xícara de café, às vezes apenas o silêncio. Numa dessas manhãs, encontrou Rafael sentado no degrau do galpão, afinando o violão com cuidado.
— Achei que você tivesse desistido dele! — ela comentou, aproximando-se.
— Não. — ele respondeu, sem levantar os olhos — Só aprendi a tocar diferente, sem pressa, sem fugir.
Isabella sentou-se ao lado dele.
— Meu vô dizia que a pressa é inimiga da colheita. — falou, com um meio sorriso — Qu