A cidade fervia de luzes e sons. Outdoors com o rosto de Rafael Torres estampavam as avenidas, e os programas de TV disputavam sua presença. O garoto da fazenda — o mesmo que um dia chegou com uma mochila gasta e um violão riscado — agora era o nome mais comentado do país. Mas por dentro, Rafael se sentia cada vez mais longe de si.
Naquela noite, ele se preparava para sua maior apresentação até então: um especial ao vivo na televisão nacional, transmitido para todo o Brasil. O produtor circulava pelo camarim, ansioso.
— Rafa, o repertório tá fechado, certo? Começa com Notas do Destino, depois Caminho de Volta, e fecha com Sol da Manhã.
Rafael assentiu, distraído, afinando o violão com calma.
— Eu pensei em incluir uma nova. — disse, baixo.
O produtor franziu a testa.
— Nova? Justo hoje? Sem ensaio?
Rafael olhou para o espelho. O reflexo mostrava o mesmo olhar determinado que Isa dizia enxergar quando ele falava de sonhos.
— Essa precisa ser hoje. — respondeu — É o momento certo.
O