A chuva caiu mansa sobre a fazenda naquela tarde. Cada gota parecia sussurrar lembranças, e Isabella, encostada no batente da porta, observava o pátio alagado. O cheiro de terra molhada lhe trazia paz — e dor. Era o mesmo cheiro dos dias em que Rafael aparecia com o violão pendurado nas costas, o sorriso fácil e as mãos sujas de barro. Mas agora, só havia o som da chuva e o eco distante de um tempo que parecia sonhado.
Seu Anselmo chegou da estrebaria com o chapéu encharcado, apoiando-se na bengala.
— A chuva veio forte hoje. — disse ele, tirando as botas.
— Parece que o céu resolveu desabafar. — respondeu Isabella, meio distraída.
O velho soltou um leve riso.
— Às vezes o céu chora pra lembrar a gente que ainda sente.
Ela se virou, sem esconder o incômodo que crescia nos últimos dias. Algo dentro dela se movia, como uma inquietação sem nome.
Na cidade, a história era outra. Rafael Torres agora era um nome em ascensão. Seu primeiro single, Notas do Destino, ecoava nas rádios locais