O sol nasceu tímido sobre a fazenda. Depois de dias de chuva, o céu começava a clarear, e o cheiro de terra molhada ainda pairava no ar. Isabella acordou antes do canto do galo. Não sabia por quê — talvez porque o coração não a deixasse dormir direito. Colocou o avental, prendeu o cabelo e acendeu o fogão a lenha.
O crepitar do fogo preencheu a cozinha, e ela se pegou cantarolando baixinho, sem perceber. Era uma melodia suave, familiar... só depois de alguns versos percebeu de onde vinha. A música tocava no radinho velho da janela. Uma voz inconfundível. Rafael. Ela ficou imóvel. A canção falava de saudade e de promessas feitas sob o mesmo céu. Cada palavra parecia escrita com lembranças.
“Mesmo longe, ainda escuto o som do vento, levando o seu nome pra onde eu for...”
Seu Anselmo entrou na cozinha devagar, ajeitando o chapéu. Parou ao ouvir a música.
— É ele, não é? — perguntou, a voz rouca.
Isabella apenas assentiu. Os olhos marejados denunciavam o que as palavras não conseguiam diz