Os dias seguintes se ajeitaram como móveis antigos em casa nova: com pequenos rangidos, ajustes pacientes e uma sensação constante de descoberta. Belo Horizonte já não parecia tão grande quando a rotina encontrava ritmo — e a família encontrava lugar.
Isabella acordava cedo, como sempre fizera, mas agora o som não vinha do curral. Era o trânsito distante, o vendedor de pão na esquina, o elevador do prédio ao lado suspirando sua subida. Ainda assim, ela mantinha os mesmos gestos: café passado com calma, janela aberta para entrar ar, Clara sentada na banqueta observando tudo com curiosidade atenta.
— A cidade acorda rápido. — Isabella comentou certa manhã, mexendo a colher.
— Mas a gente não precisa correr com ela. — Rafael respondeu, ajeitando a mochila de Clara para a escola.
Ele aprendera a fazer isso — a separar o urgente do importante. Os shows vinham, os contratos cresciam, as entrevistas se acumulavam. Mas havia horários que não negociava: levar Clara pela mão, buscá-la quando po