O sábado amanheceu com um sol tímido, filtrado pelas nuvens claras que pairavam sobre Belo Horizonte como um aviso gentil: o dia seria calmo. Isabella abriu as janelas da casa nova e deixou o ar entrar, carregando um cheiro diferente — menos terra, mais concreto quente —, mas já não estranho. Era apenas outro tipo de começo. Clara apareceu logo depois, arrastando o cobertor pelo corredor.
— Mamãe… — chamou, com a voz ainda cheia de sono.
Isabella se abaixou e abriu os braços. A menina veio sem hesitar, aninhando-se ali como se aquele gesto fosse o centro do mundo.
— Sonhei com o vovô Selmo. — disse, esfregando os olhos.
Isabella sentiu o peito apertar, mas sorriu.
— E o que ele fazia?
— Tava sentado debaixo da árvore. — Clara respondeu, simples — Ele disse que a gente pode ir embora… mas tem que lembrar de voltar.
Isabella fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
— Ele tá certo. — murmurou — Sempre esteve.
Mais tarde, Rafael chegou da padaria com pão quente, queijo fresco e