Rafael chegou antes do sol terminar de nascer.
A casa ainda dormia quando o carro parou devagar na frente, como se ele tivesse medo de acordar não apenas as pessoas, mas a própria rotina que vinha sendo construída ali. Desligou o motor, ficou alguns segundos com as mãos apoiadas no volante, respirando fundo — aquele tipo de suspiro que não é de cansaço, mas de retorno.
Entrou sem fazer barulho. Conhecia cada rangido do assoalho, cada ponto onde o piso reclamava mais alto. Tirou os sapatos, deixou a mochila encostada na parede da sala e seguiu direto para a cozinha.
Isabella estava acordada. Ela não se surpreendeu ao vê-lo. Havia aprendido, com o tempo, que o corpo reconhece antes da razão. Estava encostada na pia, preparando o café, quando sentiu a presença dele atrás de si.
— Você voltou. — disse, sem se virar.
— Voltei. — ele respondeu, baixo.
Ela se virou então, e o abraço veio fácil, inteiro, daqueles que não pedem explicação. Não houve pressa, nem palavras demais. Apenas o encaix