Luna acordou com a sensação incômoda de quem já não pertence ao mesmo lugar de antes — mesmo sem ter mudado fisicamente de endereço. O quarto era o mesmo. A luz da manhã entrava pelo mesmo ângulo. Mas algo estava fora de alinhamento.
Não nela.
No mundo.
Ela levou alguns segundos para entender o que sentia. Não era ansiedade. Não era arrependimento. Era aquela percepção sutil de que, quando você desloca um eixo importante, tudo ao redor precisa se ajustar — e nem sempre isso acontece de forma elegante.
O telefone, deixado de lado na noite anterior, parecia mais pesado ao ser tocado. Não por mensagens específicas, mas pela quantidade. Luna não abriu nenhuma de imediato. Levantou, foi até a janela, abriu as cortinas por completo.
A cidade seguia. Sempre segue. O mundo não para quando alguém decide se escolher. Ele apenas testa se essa escolha é sustentável.
Ela respirou fundo. Não para se acalmar, mas para se ancorar.
Só então pegou o telefone.
Mensagens curtas. Longas. Algumas objetivas