O isolamento não começou com um aviso.
Começou com a ausência.
Luna percebeu logo ao acordar que algo estava fora do lugar. Não era ansiedade, nem pressentimento místico. Era experiência. O tipo de percepção que se desenvolve quando se passa tempo demais observando padrões humanos e institucionais.
As mensagens que costumavam chegar cedo não chegaram.
As confirmações automáticas demoraram mais do que o normal.
Um e-mail importante simplesmente não veio.
Nada explícito. Nada que pudesse ser apontado como ataque. Mas o conjunto dizia tudo: o cerco estava sendo armado.
Ela preparou o café com calma, mantendo o corpo em rotina para impedir a mente de correr à frente. Sentou-se à mesa com o notebook aberto, cruzando informações, comparando datas, horários, acessos. Tudo indicava o mesmo movimento silencioso: redução gradual da presença dela nos fluxos centrais.
Era uma técnica antiga.
Não se expulsava alguém de imediato.
Primeiro, fazia-se a pessoa sentir que já não era necessária.
Luna fe