165. Desabafo
O terceiro dia de repouso começava devagar. O sol atravessava as cortinas com timidez, e o silêncio do apartamento de Isabela era interrompido apenas pelo ruído leve do vento e o ocasional som de mensagens chegando. Ainda de pijama, sentada com uma manta nos ombros e uma caneca de chá nas mãos, ela encarava o notebook fechado sobre a mesa da sala como se ele fosse um inimigo prestes a atacá-la a qualquer momento.
A febre havia cedido, mas o cansaço ainda pesava nos ombros, agora não só físico, mas emocional. Desde a visita de Rafael, Isabela vinha refletindo. As palavras dele ecoavam com mais força a cada manhã: “Sua saúde não é detalhe. É a base.”
Ela sabia disso. Racionalmente. Mas na prática… fora criada para “dar conta”, para resistir, para provar valor mesmo sem precisar. Adoecer, parar, reconhecer limites? Soava como fracasso. E, ao mesmo tempo, parecia libertador poder admitir que estava cansada.
Naquela manhã, uma notificação inesperada interrompeu seus pensamentos.
“Maria