Mundo de ficçãoIniciar sessãoYuri desceu as escadas da mansão Volkov sentindo cada músculo do corpo tenso. Ele havia ignorado as roupas sociais deixadas sobre a cama; em vez disso, mantinha sua própria camisa, cujas fibras ainda guardavam a poeira da fuga, e seus tênis gastos. Era um pequeno ato de rebeldia contra o homem que agora se dizia seu dono. Quando chegou ao hall, encontrou Aleksei à sua espera. O mafioso estava impecável, emanando uma autoridade que parecia silenciar o próprio ar ao redor.
Antes que Aleksei pudesse comentar sobre a sua vestimenta, as portas duplas da entrada foram abertas. Um homem entrou com um sorriso de escárnio que fez o sangue de Yuri congelar. Era Ivan, seu próprio irmão. Yuri baixou o rosto imediatamente, deixando os cabelos caírem sobre os olhos, rezando para que as sombras do hall fossem suficientes para ocultar suas feições. Ele se posicionou atrás de Aleksei, tentando transformar-se em parte da mobília.
— Aleksei, meu velho amigo — Ivan disse, a voz carregada de uma falsa cordialidade. — Vim pessoalmente para discutirmos a logística do novo carregamento.
Aleksei não retribuiu o sorriso. — Meus portos não recebem drogas, Ivan. Nunca receberam. Saia da minha casa antes que eu perca a paciência.
Durante a discussão, a noiva de Aleksei surgiu no topo da escada. Ivan a elogiou com malícia, apenas para ser cortado por Aleksei, que a expulsou do hall com uma ordem fria. Ivan olhou uma última vez para a figura encolhida de Yuri, uma centelha de desconfiança brilhando em seus olhos, antes de sair bufando.
Quando o silêncio voltou, Aleksei virou-se para Yuri. O olhar dele era uma lâmina.
— Por que você tremeu como uma folha quando ele entrou, Yuri? — Aleksei perguntou, caminhando até ele. — Ivan Medeiros não assusta ninguém que não tenha rabo preso. O que você deve a ele?
Yuri sentiu o suor frio. Ele precisava de uma história, e precisava agora. — Eu não roubei nada dele, Aleksei. Eu juro. Mas eu precisava de dinheiro... muito dinheiro. Minha irmã... ela está em um hospital na periferia, morrendo. O tratamento é a única coisa que a mantém viva, e eu fiz um acordo com o diabo para pagar as contas. Ivan não aceita atrasos. Se ele me pegar, ele desliga os aparelhos dela só para me ver sofrer.
A mentira saiu mais fácil do que Yuri esperava. Aleksei estreitou os olhos, avaliando o desespero no rosto do rapaz.
— Uma irmã doente — Aleksei repetiu, a voz suavizando apenas um tom, mas ainda carregada de ceticismo. — Eu não invisto em causas que não posso ver. Se essa irmã existe e se essa é a razão pela qual você se jogou no meu colo, eu vou pagar cada centavo dessa dívida. Ivan não terá mais motivos para te caçar.
Yuri sentiu um alívio momentâneo, seguido por um terror profundo. Ele estava cavando um buraco cada vez mais fundo.
— Mas com uma condição — Aleksei continuou, segurando o queixo de Yuri. — Vamos a esse hospital agora. Quero ver pessoalmente pelo que estou pagando. Se eu descobrir que você está mentindo para mim, Yuri... a dívida que você terá com o Lobo será paga com a sua própria vida.
Aleksei soltou o rapaz e caminhou em direção à saída, gritando para os seguranças prepararem o carro blindado. Yuri o seguiu com as pernas pesadas, sabendo que estava entrando em um jogo de vida ou morte onde a verdade era sua maior inimiga e o hospital era o próximo cenário da sua possível execução.







