Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm beijo desesperado. Uma mentira perigosa. Um destino selado pelo sangue. Yuri Medeiros estava a um passo da morte. Caçado por capangas impiedosos, sua única saída foi se esconder sob uma peruca ruiva e se jogar nos braços do homem mais temido de Kyiv: Aleksei Volkov. O "Lobo" não é conhecido por sua piedade, mas o beijo audacioso daquele desconhecido despertou algo que Aleksei não conseguia ignorar. Ao descobrir que sua "donzela em perigo" era, na verdade, um rapaz de olhos intensos e segredos profundos, Aleksei impõe um pacto sombrio: Yuri agora é sua propriedade. Sob o teto da mansão Volkov, Yuri deve seguir três regras absolutas, enquanto tenta esconder a verdade que pode destruir os dois: ele é o irmão caçula do maior rival de Aleksei. Entre interrogatórios de tirar o fôlego, atentados explosivos e uma atração proibida que desafia a lógica da máfia, Yuri se vê dividido entre a lealdade à sua família e o desejo avassalador pelo homem que jurou odiar. Em um mundo onde o amor é considerado uma fraqueza mortal, Aleksei e Yuri descobrirão que, às vezes, a única pessoa em quem você pode confiar é justamente aquela que deveria ser seu pior inimigo. "Eu não vim buscar o irmão de um mafioso. Eu vim buscar o homem que roubou meu fôlego."
Ler maisO ar dentro do Midnight Wolf era uma mistura densa de fumaça de charutos , o perfume caro de mulheres que buscavam proteção e o cheiro metálico de perigo iminente. As luzes neon avermelhadas cortavam a penumbra, refletindo-se nos copos de cristal e nas superfícies de mármore do bar. No fundo, em uma poltrona de couro que parecia um trono esculpido em sombras, Aleksei Volkov observava o movimento com o desinteresse de um predador que já domina todo o território. Ele era o Lobo de Kyiv, um homem cujo nome era sussurrado com medo nos becos e com reverência nos corredores do poder. Cada gole de seu uísque envelhecido era acompanhado pelo silêncio absoluto daqueles que o cercavam; ninguém ousava cruzar seu campo de visão sem uma permissão expressa.
De repente, a harmonia sombria do local foi estraçalhada. A porta lateral, usada apenas por funcionários ou para emergências, foi escancarada com um estrondo que fez as taças vibrarem. Yuri Medeiros entrou tropeçando, seus pulmões ardendo como se tivesse engolido brasas. O suor frio escorria por sua têmpora, misturando-se à poeira das ruas de onde acabara de fugir. Ele podia ouvir os gritos abafados dos capangas de Ivan, seu próprio irmão, que o caçavam como a um animal ferido. Ele sabia que, se fosse pego naquela noite, não haveria explicações ou perdão; haveria apenas o fim.
Seus olhos dispararam freneticamente pelo ambiente, buscando uma saída, uma sombra, qualquer coisa que pudesse ocultar sua identidade por tempo suficiente para o rastro esfriar. No balcão de madeira polida, uma peruca ruiva de fios longos e sedosos jazia esquecida, provavelmente deixada por uma das dançarinas que se apresentavam no palco principal. Em um movimento impulsionado pelo puro instinto de sobrevivência, Yuri a pegou e a enfiou na cabeça, tentando esconder os traços masculinos e o cabelo curto sob as mechas escarlates.
Os passos pesados e as vozes rudes dos perseguidores pararam na entrada do bar. Yuri sentiu o sangue gelar. Ele olhou para a poltrona no fundo e viu o homem que exalava uma aura de poder quase sufocante. Sem tempo para raciocinar sobre as consequências, ele correu. Cruzou o salão como um raio ruivo e, antes que Aleksei Volkov pudesse processar a invasão de seu espaço pessoal, Yuri jogou-se em seu colo. Ele envolveu o pescoço do mafioso com braços trêmulos e, fechando os olhos para o mundo, selou seus lábios nos dele em um beijo desesperado.
Os homens de Ivan pararam na soleira, ofegantes, com as armas ainda ocultas sob os casacos. Eles trocaram olhares de pânico ao reconhecerem o homem na poltrona. — Droga... aquela é a mulher do Volkov. Se interrompermos o momento dele, estaremos mortos antes de conseguirmos pedir desculpas. A reputação de Aleksei era sua melhor arma; o medo que ele inspirava serviu como o escudo mais impenetrável que Yuri poderia ter encontrado. Os capangas recuaram rapidamente, batendo a porta atrás de si.
Yuri sentiu o alívio percorrer seu corpo, uma onda de adrenalina que o deixou momentaneamente fraco. Ele tentou se afastar, pretendendo fugir agora que o perigo imediato passara, mas percebeu que as mãos de Aleksei Volkov não estavam lá para empurrá-lo. Em vez disso, as mãos grandes e firmes do mafioso subiram por sua cintura, prendendo-o no lugar com uma força possessiva que o deixou sem ar. O beijo, que começara como um teatro de sobrevivência, foi prolongado por Aleksei com uma intensidade que Yuri nunca havia experimentado. Era um beijo que carregava autoridade, curiosidade e uma promessa sombria. Naquele momento, sob as luzes neon, Yuri percebeu que havia escapado de um inferno apenas para cair no domínio pessoal de um demônio muito mais perigoso.
A mansão Volkov ainda cheirava a queimado quando o sol começou a despontar no horizonte. O escritório, antes um santuário de poder, estava em ruínas. Mikhail havia sido arrastado para o porão pelos seguranças, e o silêncio que se instalou no andar de cima era mais aterrorizante do que o estrondo da bomba.Aleksei estava sentado em uma poltrona no quarto de hóspedes, com um curativo novo na testa e o olhar fixo no nada. Yuri estava parado perto da janela, observando os bombeiros particulares de Aleksei terminarem o rescaldo. Ele ainda podia sentir o gosto de fumaça e o calor dos lábios de Aleksei nos seus durante a ressuscitação.— Venha aqui, Yuri — a voz de Aleksei cortou o silêncio. Não era um pedido; era uma convocação.Yuri caminhou lentamente até parar diante dele. Aleksei o estudou por um longo tempo, os olhos cinzentos faiscando com uma mistura perigosa de gratidão e suspeita.— Mikhail... o homem que plantou a bomba. Ele é um dos cães de guarda do Ivan. — Aleksei inclinou-se p
O relógio de pêndulo no corredor da mansão Volkov parecia bater contra as têmporas de Yuri. Cada badalada o lembrava da ameaça de Ivan: a lista ou a sua morte pelas mãos de Aleksei. Ele estava parado diante da porta pesada de carvalho do escritório, o coração disparado. Ele sabia que Aleksei estava no andar de baixo resolvendo um carregamento, e aquela era a sua única chance.Com as mãos trêmulas, Yuri girou a maçaneta. O escritório estava mergulhado em sombras, iluminado apenas pelo brilho fraco da lua que atravessava as janelas do chão ao teto. Ele caminhou em direção ao cofre escondido atrás da estante de livros, mas, antes que pudesse sequer tocar na primeira obra, um vulto saiu da penumbra.— Procurando algo que não lhe pertence, Yuri? — A voz era familiar, mas não era a de Aleksei.Yuri deu um pulo para trás, sufocando um grito. Era Mikhail, o braço direito de Ivan e seu amigo de infância. Ele segurava uma maleta metálica e um detonador.— Mikhail? O que você está fazendo aqui?
A noite em Kyiv tinha um brilho perigoso, e no Midnight Wolf, o império de Aleksei , esse brilho era amplificado por luzes neon azuis e violetas que dançavam sobre as superfícies de mármore . Yuri entrou no estabelecimento sentindo cada centímetro de sua pele formigar. Ele vestia um terno cinza-chumbo, sob medida, que Aleksei insistira que ele usasse. O tecido abraçava seu corpo de uma forma que o fazia sentir-se exposto, como um troféu de luxo sendo preparado para exibição pública.Aleksei já o esperava em sua mesa cativa, na área VIP elevada que dominava todo o salão pulsante. O mafioso, com o braço ainda enfaixado sob o paletó, avaliou Yuri com um brilho de satisfação possessiva que o rapaz aprendera a temer e, secretamente, a desejar.— Você está impecável, Yuri — Aleksei sussurrou quando ele se aproximou. A voz era baixa, vibrando contra a batida da música eletrônica. Sem aviso, Aleksei deu um tapa leve, mas firme, na bunda de Yuri, um gesto de domínio diante de todos os seus hom
O trajeto até o hospital foi o percurso mais longo da vida de Yuri. Sentado ao lado de Aleksei no banco traseiro do carro blindado, ele sentia o peso do olhar do mafioso sobre si. Cada curva que o motorista fazia aproximava Yuri da sua própria sentença de morte, pois ele sabia que não havia irmã alguma naquele prédio cinzento. Ele estava apenas ganhando tempo, tentando encontrar uma saída para a teia de mentiras que criara.— Você está muito pálido, Yuri — Aleksei comentou, a voz como um trovão baixo na cabine silenciosa. — Se a sua história for real, eu salvarei sua irmã. Mas se você estiver me usando novamente...Ele não precisou terminar a frase. O aviso estava implícito no aperto de sua mão sobre o joelho de Yuri.Assim que o carro parou diante da entrada de emergência, o perigo que Yuri tanto temia se materializou, mas não da forma que ele esperava. Antes que os seguranças pudessem desembarcar, um vulto saltou de trás de uma ambulância abandonada. Uma lâmina longa e brilhante co
Último capítulo