Helder saiu cedo naquela manhã. O sol ainda lutava para romper as nuvens densas que cobriam Malanje, e o ar trazia um cheiro húmido de terra molhada. Precisava de comprar algumas coisas básicas, mas, mais do que isso, precisava sentir a cidade, observar rostos, ouvir vozes, compreender o lugar onde decidira ficar.Entrava em pequenas lojas, trocava cumprimentos curtos, fazia perguntas simples. As pessoas respondiam com curiosidade contida, olhares atentos ao estrangeiro de fala calma e postura reservada. Helder falava pouco, observava muito.Foi então que, ao virar uma das ruas de terra batida, o seu olhar ficou preso numa casa grande, antiga, de muros altos e pintura gasta. Parecia abandonada, mas havia movimento. A curiosidade puxou-o para mais perto.Algumas senhoras limpavam o quintal, varriam folhas secas e conversavam entre si. Helder aproximou-se devagar, cauteloso, com o bebé bem preso contra o peito.— Bom dia — disse, num tom respeitoso.As mulheres interromperam o trabalho
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