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CAPÍTULO 2 Regras da casa

Maya Cortez chegou àquela rua às oito e quarenta e três da manhã.

Pontualidade não era apenas hábito — era armadura. Ela observou o prédio à sua frente com atenção silenciosa. Discreto, moderno, caro sem precisar provar nada. O tipo de lugar que dizia muito sobre quem morava ali: alguém acostumado a controle, privacidade e poder.

Respirou fundo antes de se aproximar da guarita.

O segurança conferiu seu nome, fez uma ligação rápida e liberou sua entrada sem trocar palavras desnecessárias. Tudo ali funcionava de forma objetiva, quase mecânica.

O elevador subiu direto para a cobertura.

Quando as portas se abriram, Maya deu de cara com um apartamento amplo, silencioso demais para aquela hora da manhã. Madeira clara no piso, linhas retas, poucos objetos à vista. Uma casa bonita, mas fria. Como se ninguém ali tivesse permissão para bagunçar.

— Você chegou cedo.

A voz masculina veio da cozinha.

Maya se virou.

Orion Ferraz estava encostado na bancada de mármore, camisa branca com as mangas dobradas, postura impecável mesmo sem terno completo. Não parecia surpreso ao vê-la. Parecia… avaliá-la.

O olhar dele percorreu Maya rapidamente, profissional, distante. Não havia charme ali. Apenas análise.

— Sou pontual — ela respondeu.

— Aqui, isso é essencial — ele disse, seco.

Orion puxou uma cadeira e sentou-se, indicando a outra com um gesto breve. Não era exatamente um convite. Era uma ordem educada.

Maya sentou.

Ele abriu uma pasta fina e começou a ler seu currículo em silêncio. Cada página virada soava alta demais naquele ambiente.

— Você já trabalhou com crianças — ele disse, sem levantar o olhar. — Duas famílias. Referências boas.

— Sim.

— Por que saiu?

— Uma se mudou. A outra não precisou mais de babá em tempo integral.

Orion ergueu os olhos lentamente, como se testasse a consistência da resposta.

— Você fala inglês.

— Falo.

— Tem cursos.

— Sim.

Ele fechou a pasta e cruzou os dedos sobre a bancada.

— Sabe onde está se metendo?

Maya sustentou o olhar.

— Acredito que sim.

Orion soltou um riso curto, sem humor.

— As outras também acreditavam.

— E por que não deu certo? — Maya perguntou.

O maxilar dele se contraiu por um instante.

— Porque não aguentaram.

— O quê?

Orion demorou dois segundos antes de responder.

— A rotina. As regras. Meu filho.

O jeito como ele falou “meu filho” dizia muito mais do que as palavras.

— Eu não estou procurando facilidade — Maya respondeu.

Aquilo pareceu chamar a atenção dele.

— Então o que você procura?

Maya escolheu a versão mais segura da verdade.

— Estabilidade.

Orion a observou como se aquela palavra fosse rara no vocabulário dele.

— Aqui não existe improviso — ele disse. — Eu não tolero atrasos, drama ou mentiras.

Maya assentiu.

— Entendido.

Orion se levantou.

— Ainda não terminamos — avisou. — Mas antes… você precisa conhecer Enzo.

O nome ficou suspenso no ar.

E, de algum lugar do corredor, passos pequenos começaram a se aproximar.

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