O envelope permaneceu sobre a mesa como um objeto estranho, deslocado demais para aquela casa que, nos últimos dias, tinha aprendido a respirar em outro ritmo.
Maya não o tocou.
Lara observava cada movimento dela com a impaciência de quem já sabia o final daquela história — ou acreditava saber. Orion, por outro lado, mantinha-se imóvel, braços cruzados, expressão fechada, mas os olhos atentos demais para fingirem indiferença.
— Enzo está no quarto — Maya disse, quebrando o silêncio. — Não quero que ele ouça isso.
Orion assentiu.
— Dona Cida saiu para resolver coisas — ele completou. — Estamos sozinhos.
Lara soltou um suspiro curto.
— Melhor assim.
Maya se levantou e caminhou até a janela. Olhou a cidade lá embaixo, os carros, as pessoas apressadas, vidas que seguiam sem saber que, para ela, tudo estava prestes a mudar outra vez.
— Você falou que eles estão se preparando — Maya disse. — Quanto tempo eu tenho?
— Pouco — Lara respondeu. — Dias, talvez horas. Eles ainda estão organizando