A casa pareceu diferente naquela noite.
Não porque algo tivesse mudado fisicamente, mas porque a decisão de Maya havia ocupado espaço. Era como se cada cômodo soubesse que ela não estava mais ali por acaso. Que não havia rota de fuga preparada em silêncio. Que alguém tinha escolhido ficar — mesmo sabendo o preço.
Maya demorou a pegar no sono.
Não por medo imediato, mas por uma estranha lucidez. Ficar exigia mais coragem do que fugir jamais exigira. Fugir era instinto. Ficar era escolha consciente.
Quando acordou, ainda estava escuro. Levantou-se devagar, caminhou até a cozinha e colocou água para ferver. O som baixo da chaleira foi o primeiro ruído do dia.
Orion apareceu minutos depois, igualmente desperto cedo demais.
— Você não dorme quando está pensando demais — ele comentou, servindo café.
— Nem você — Maya respondeu.
Eles trocaram um olhar breve. Não havia tensão. Havia alinhamento.
— Eu liguei para meu advogado ontem à noite — Orion disse, direto. — Não expliquei tudo. Ainda. Ma