A casa pareceu diferente naquela noite.
Não porque algo tivesse mudado fisicamente, mas porque a decisão de Maya havia ocupado espaço. Era como se cada cômodo soubesse que ela não estava mais ali por acaso. Que não havia rota de fuga preparada em silêncio. Que alguém tinha escolhido ficar — mesmo sabendo o preço.
Maya demorou a pegar no sono.
Não por medo imediato, mas por uma estranha lucidez. Ficar exigia mais coragem do que fugir jamais exigira. Fugir era instinto. Ficar era escolha conscien