A campainha tocou no meio da tarde.
Maya estava na cozinha ajudando Enzo com um dever simples da escola quando o som ecoou pela casa de um jeito errado. Não urgente. Não insistente. Mas definitivo. O tipo de toque que não pede permissão — anuncia presença.
Ela sentiu o arrepio antes mesmo de se mover.
— Eu atendo — disse, tentando manter a voz firme.
Enzo a observou, atento demais para alguém tão novo.
— É alguém chato? — perguntou.
Maya forçou um sorriso.
— Ainda não sei.
No hall, ao abrir a porta, o mundo pareceu dar um passo para trás.
Lara estava ali.
Sem a elegância calculada da última vez. Sem postura de quem veio medir território. Agora, havia pressa nos olhos, tensão no maxilar, e uma bolsa grande demais pendurada no ombro.
— Precisamos conversar — ela disse, entrando antes mesmo de ser convidada.
Maya fechou a porta devagar.
— Você não devia estar aqui — murmurou.
— Eu sei — Lara respondeu. — Mas você precisa ouvir.
Na sala, Lara largou a bolsa no sofá e abriu o zíper com mão