Maya passou a noite acordada.
Não por medo do que poderia acontecer — isso ela já conhecia bem —, mas pelo peso da decisão que havia tomado. Contar a verdade inteira não era apenas dizer um nome ou revelar um passado. Era abrir mão da última camada de proteção que ainda a separava do mundo que havia fugido.
Quando o dia amanheceu, ela já estava de pé.
Preparou o café da manhã com cuidado, mais por necessidade de ocupar as mãos do que por rotina. Enzo acordou pouco depois, ainda sonolento, e comeu em silêncio, algo raro. Orion não apareceu.
— Papai sai cedo hoje — Enzo comentou, como se soubesse.
Maya apenas assentiu.
— Mas ele volta — o menino completou, quase como uma lembrança para si mesmo.
— Volta — ela confirmou.
Depois de levar Enzo à escola, Maya voltou para casa com o coração pesado, mas decidido. Sentou-se na sala, encarando o relógio na parede como se cada segundo tivesse um som próprio. Não havia mais como adiar.
Quando a porta se abriu no início da tarde, ela não se sobres