Maya acordou com o som suave de passos pequenos correndo pelo corredor.
— Maya! — Enzo chamou, batendo de leve na porta do quarto. — Você prometeu!
Ela abriu os olhos devagar, o coração ainda pesado dos acontecimentos do dia anterior. Por um segundo, levou tempo para lembrar onde estava, quem era, o que estava acontecendo. Depois, a realidade voltou inteira — o passado à espreita, Orion desconfiado, o nome que não podia ser dito.
Mas ali, naquele instante, havia apenas uma criança impaciente do outro lado da porta.
Maya sorriu.
— Já vou.
Levantou-se, trocou de roupa rapidamente e saiu do quarto. Enzo estava de tênis, mochila pequena nas costas e o dinossauro preso debaixo do braço, como se fosse um passaporte.
— Parque — ele disse, decidido.
— Parque — ela confirmou.
Na cozinha, Dona Cida observava os dois com um sorriso discreto.
— O senhor Ferraz já saiu — informou. — Disse que vocês podiam ir, mas não demorassem.
Maya assentiu, sentindo algo parecido com gratidão silenciosa. Talvez