CAPÍTULO 5

KATHERINE

Acordei com a luz fria da manhã batendo no meu rosto. Tateei o lado da cama instintivamente, mas meus dedos encontraram apenas o vazio gelado dos lençóis de seda.

Abri os olhos, o coração disparando.

— Nick? — chamei.

Nenhuma resposta. O silêncio na Suíte Presidencial era absoluto.

Sentei-me, ignorando a dor de cabeça que pulsava nas têmporas. O quarto estava deserto. Sem terno na poltrona, sem sapatos no tapete, sem relógio na mesa de cabeceira.

Ele tinha ido embora. Sem me acordar. Sem um adeus.

Meu olhar caiu sobre o travesseiro onde a cabeça dele repousara. Havia um pedaço de papel timbrado ali. Peguei-o com as mãos trêmulas.

"Tive uma emergência. Tive que partir. Resolva as coisas por aí."

Li aquelas palavras três vezes. A letra era elegante e fria. Não havia um "bom dia" ou um número de telefone. Apenas uma ordem seca.

A realidade desabou sobre mim. Era isso. A noite mágica, a defesa apaixonada no jantar, a conexão elétrica... tudo tinha sido parte do pacote. O serviço de "namorado perfeito" tinha expirado ao amanhecer e ele, como o profissional eficiente que eu achava que era, tinha encerrado o contrato e partido para a próxima cliente.

Senti-me suja. Usada. Eu tinha me entregado a um estranho, a um funcionário que eu nem podia pagar, achando ingenuamente que havia algo real naqueles olhos escuros. Eu fui a diversão da noite, e agora eu era o problema da manhã.

Levantei-me, vestindo meu vestido de festa amassado. Cada movimento era uma lembrança do toque dele, e cada lembrança era uma facada no meu orgulho.

Saí do quarto como uma fugitiva, rezando para não cruzar com ninguém. No lobby, a recepcionista me olhou com uma sobrancelha erguida. O famoso "Walk of Shame" (a caminhada da vergonha) com roupa de gala às oito da manhã.

— A conta da suíte 501... — comecei, já com o cartão na mão, preparada para estourar o limite.

— Já foi quitada, senhorita — disse ela, digitando sem me olhar. — O senhor Nick deixou tudo pago antes de sair.

Pelo menos isso. O alívio financeiro veio, mas o vazio no meu peito pesou mais do que qualquer dívida. Ele pagou, o que só confirmava que, para ele, aquilo foi apenas uma transação.

Duas horas depois, desci de um Uber em Grosse Pointe, onde o casamento de Amy aconteceria.

Eu tinha trocado de roupa no caminho. Agora, usava o vestido de madrinha cor de lavanda que Amy tinha escolhido, uma cor que me deixava pálida, exatamente como ela queria. A maquiagem pesada tentava esconder as olheiras e os rastros de choro.

Assim que pisei na grama do jardim, o burburinho começou. As cadeiras brancas estavam alinhadas e a elite de Detroit estava lá. Tentei manter a cabeça erguida, caminhando em direção à família, mas senti os olhares queimando minhas costas.

— Onde está o namorado? — ouvi sussurrarem.

— O tal investidor sumiu?

Amy, que ajustava o véu perto do altar, me viu. O sorriso dela não foi de boas-vindas; foi de triunfo. Ela caminhou até mim, linda e venenosa.

— Kat! Veio sozinha? — Ela olhou por cima do meu ombro com escárnio. — Onde está o seu "milagre"? O mercado de ações abriu ao domingo e ele voou para salvar o mundo?

Senti o sangue drenar do meu rosto. Minha mãe se aproximou, com a expressão de quem já esperava o desastre.

— Ele teve uma emergência de trabalho — respondi, minha voz tremenda. — Ele vai tentar chegar a tempo.

Amy soltou uma risada cruel, atraindo a atenção de todos.

— Ah, Kat... Você não cansa? Nós sabemos que você contratou aquele cara. Foi uma atuação linda no jantar, sério. Mas acabou o dinheiro, não foi? A diária dele venceu à meia-noite?

Eu queria gritar e correr dali. Mas o pior ainda estava por vir. Jeffrey aproximou-se, impecável em seu smoking, parecendo um tubarão que sentiu cheiro de sangue. Ele parou ao lado de Amy, com a noiva russa, Irina, no braço. O sorriso dele foi de pura malícia.

— Eu sabia — disse Jeffrey, alto o suficiente para que meus pais ouvissem. — Avisei a todos ontem. "Não se apeguem ao Nick, ele é alugado".

— Eu não contratei ninguém! — menti, o desespero fazendo minha voz subir. — Nós estamos juntos.

— Juntos? — Jeffrey deu um passo à frente, invadindo meu espaço. Ele agarrou minha mão esquerda e a ergueu no ar. — Então cadê o anel, Kat?

O jardim ficou em silêncio. Todos olhavam para a minha mão nua.

— Um homem rico — continuou Jeffrey, saboreando cada palavra —, que está tão apaixonado a ponto de brigar com a família da namorada... e não te deu nem um anel de compromisso? Nenhuma aliança?

Ele soltou minha mão com desdém.

— Você é uma fraude, Katherine. Sempre foi. Inventou esse homem porque não suporta me ver feliz. É patético.

Senti as lágrimas de humilhação queimarem meus olhos. Eu estava nua diante deles. Jeffrey abriu os braços para os convidados.

— Admitam! Ela está mentindo! Não existe Nick nenhum! Ele foi um ator que vazou assim que o cheque compensou!

Fechei os olhos, esperando o golpe final. Eu queria que a terra se abrisse.

E foi então que o som começou.

Primeiro, um zumbido distante. Depois, um rugido crescente e poderoso que fez os copos de cristal nas mesas tremerem e o vento soprar com violência no jardim perfeito.

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