Narrado por Yakov Smirnova
Voltei para a Rússia com um gosto amargo na boca e a obrigação de um homem humilhado: trazer de volta o rosto que manchou meu sobrenome. Não por amor, não por orgulho paternal — por sujeira, por revanche. Cada passo meu naquela cidade lembrava que eu fui expulso como um cachorro. Agora, meu trabalho é rastejar e provar que ainda sei comandar, mesmo que seja para cumprir ordens de um italiano que me comprou como peão.
Estacionei a uma quadra da mansão. Preferi a distância — visibilidade maior, menos chance de ser notado. O muro que rodeia o lugar é alto, recoberto de hera; o portão elétrico, moderno. Mas os noviços do poder costumam gastar dinheiro em fachada, não em detalhes. Meu trabalho ali era ver por baixo da maquiagem.
Andei pelo beco lateral, o cascalho fazendo pouco barulho sob as botas. Observei a casa como quem lê uma carta de cobrança: fachada impecável, sim; rotina previsível, também. Anotei os horários, contamos os passos: homens no portão, ronda