Narrado por Don Marcello
O sol mal nasceu, e eu já estava diante do mapa digital projetado na parede do meu escritório. A casa de Mikhail, em Moscou, destacava-se no centro da tela — uma fortaleza cercada de seguranças e câmeras, mas nenhuma muralha é intransponível quando o inimigo é paciente.
Rossi entrou com passos rápidos. Atrás dele, Yakov Smirnova.
O homem parecia um cão acuado — terno amarrotado, olhar inquieto, um fantasma do que já foi um patriarca respeitado.
Don Marcello: — Fechem a porta. — A minha voz soou seca, cortante.
Eles obedeceram. Sentei-me, acendi um charuto e o fitei em silêncio por alguns segundos.
Yakov tentou falar primeiro, mas ergui a mão.
Don Marcello: — Fique quieto, Smirnova. Ainda estou decidindo se devo te matar agora ou depois.
Ele engoliu seco. O suor brotava na testa. Eu adorava aquele tipo de medo — o medo que faz um homem lembrar quem está no comando.
Don Marcello: — Sabe por que ainda está vivo?
Yakov: — Porque o senhor precisa de mim, Don Marcel