Narrado por Dmitri Volkov
Moscou respirava neve naquele fim de tarde. O céu era um cinza sujo, e o vento cortava as ruas como navalhas invisíveis. Estacionei do outro lado da avenida, diante dos portões do Instituto Orfeu. Mikhail desligou o motor, mas não apagou os faróis. Eu queria enxergar cada detalhe.
O sino tocou, e a porta de ferro se abriu. Um mar de estudantes se espalhou pelas calçadas, gargalhando, empurrando-se, correndo para os ônibus. O barulho era irritante, mas logo se diluiu em