Alessia
As mulheres estavam lá embaixo conversando, rindo baixo de alguma coisa que eu nem tentei entender. O som vinha abafado, distante, como se eu estivesse submersa. Minha cabeça não estava ali. Não estava em lugar nenhum.
Desde que Antonella comentou que Maskim começaria a ajudar a gente, uma pergunta martelava na minha mente:
Eu ainda queria continuar naquela vida?
Pensei muito. Pensei demais.
E a resposta, quando veio, foi clara e definitiva.
Não.
Eu não queria mais ser aquela mulher.
Não queria mais entrar numa boate fingindo que estava no controle quando, na verdade, nunca estive. Não queria mais sorrir para homens que me olhavam como se eu fosse um produto. Não queria mais sair de madrugada com o corpo cansado e a alma vazia.
Mas o medo sempre falava mais alto.
E se ele não ajudasse de verdade?
E se eu largasse tudo e depois não tivesse como sustentar a mim mesma e à minha mãe?
Por isso continuei indo à boate, mesmo contra a minha vontade. Continuei fingindo que ainda perten