Mundo ficciónIniciar sesiónDominic
A confirmação saiu dos lábios de Maya como um sopro leve, mas caiu sobre o meu peito como uma lâmina em chamas. “Fui eu, Supremo. Sempre fui eu.” Deveria ter sido o momento da libertação. O alívio de finalmente encontrar a dona daquela noite e a dona da minha alma. Mas a minha mente de soberano, moldada por anos de conspirações e traições na corte, não enxergou apenas o destino; enxergou o golpe. A farsa. A humilhação. Recuei dois passos bruscamente, soltando a pele do rosto dela como se estivesse me queimando. A fúria cega subiu pelas minhas têmporas, transformando o calor do meu lobo em uma tempestade de gelo e fogo. — Enganado... — rosnou a minha voz, o som saindo tão grave e rasgado que fez as arandelas de vela da antissala oscilarem. — Eu fui ridicularizado dentro da minha própria casa! Comecei a andar de um lado para o outro como um predador enjaulado, passando a mão pelos cabelos enquanto a garganta queimava. — Vocês tramaram isso juntos! Uma escória... uma escória completa! Os Davenport montaram uma teia abjeta sob o meu teto, e você usou a minha razão, usou o meu corpo, usou a porra do meu reino para fazer o jogo deles! — N-não! Dominic, por favor! — implorou Maya, dando um passo trêmulo na minha direção com os braços erguidos em puro desespero. As lágrimas lavavam o seu rosto em abundância. — Não foi assim! Eu fui obrigada! Eu juro pela minha vida, eu fui obrigada a fazer isso! Parei a passos dela. O meu olhar cravou-se no seu rosto de uma forma tão violenta que a garota congelou no lugar. — Obrigada? — perguntei, a voz abaixando para um tom perigosamente calmo, mortal. — Você está querendo me dizer... que se deitou comigo forçada? Que eu obriguei você naquele quarto? A palidez de Maya foi instantânea. Assustada com a interpretação brutal da palavra, ela deu dois passos para trás, tentando se afastar de mim e recuar em direção à parede. A reação de fuga acionou o meu instinto mais primordial. Em um borrão de movimento, avancei e segurei o pulso dela antes que ela pudesse dar mais um passo. A minha mão fechou-se com firmeza ao redor da sua pele macia, firme o suficiente para mantê-la presa, mas sem machucá-la. — Fale, Maya! — ordenei, puxando-a levemente para perto. — Não! Não foi isso que eu quis dizer, pelo amor de Deus! — gritou ela num soluço sufocado, tentando soltar o pulso do meu aperto, os olhos arregalados de pavor. — Eu fui chantageada a aceitar o silêncio! Eu não podia dizer quem eu era naquela noite no Sul! Eu... eu descobri que o Supremo era o meu companheiro quando vim acompanhar a Laura para a coroação! Eu vi o senhor no salão... o senhor não me viu, mas eu senti o elo de companheiros queimando no meu peito! A revelação fez o meu lobo dar um solavanco violento dentro de mim, mas a minha raiva cega recusava-se a ceder. — E você correu para contar para a sua irmã, não foi? — ironizei com amargura. — Eu cometi a besteira de contar para a Laura porque achei que ela me ajudaria! — justificou-se ela, a voz embargada e desesperada. — Mas desde aquele momento, ela e a mãe armaram todo esse plano para me substituir! Elas me ameaçaram com as memórias da minha mãe! Elas me trancaram! Isso tudo não é culpa minha, Dominic! Eu não tive escolha, eu não queria nada disso! — Vocês todos têm o mesmo sangue podre! — esbravejei, soltando o pulso dela com um empurrão leve que a fez dar passos em falso para trás. — A família Davenport é uma escória corrupta, e você carrega a mesma semente! Todos vocês mentem! Todos vocês jogam! — Eu não queria ter feito nada disso! — gritou ela contra o meu rosto, encolhendo os ombros e chorando copiosamente. — Eu só queria sobreviver! Eu nunca quis fazer parte de nada disso! Só queria ir para longe daqui com as memórias da minha mãe. A visão das suas lágrimas e o som da sua rejeição àquela noite acenderam o resto de insanidade que me sobrava. Avancei com passos pesados e implacáveis, encurralando-a até que as suas costas batessem contra a parede de pedra da antissala. Pressionei o meu corpo contra o dela, prendendo-a entre o meu peito e a estrutura rígida do palácio. Maya prendeu a respiração, o peito subindo e descendo acelerado. Inclinei o meu rosto devagar, afundando o nariz na curva macia do seu pescoço, exatamente na coroa onde a pele era mais quente e sensível. Inalei a essência pura de lavanda misturada ao suor frio e ao cheiro do seu desejo contido. O meu lobo rosnou, faminto, reagindo ao calor visceral que emanava da sua pele. — Então você está me dizendo que não queria se deitar comigo? — murmurei rente à pele macia da sua garganta, sentindo-a estremecer da cabeça aos pés enquanto os meus lábios roçavam a sua carne. — Que não queria ter uma noite de amor com o seu próprio companheiro? Não queria que eu te fodesse do jeito que eu te fodi naquele quarto? É isso Maya? Você quer fugir? O silêncio caiu como uma bomba sobre a sala, enquanto a respiração de Maya travava sob o peso da minha provocação e do elo que queimava entre nós dois.






