A Tentação do Alfa Viúvo

A Tentação do Alfa Viúvo PT

Lobisomem
Última atualização: 2026-05-19
M.D.A. PIMENTEL   Atualizado agora
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Índice

— Celine! A voz ecoou pela mata, fazendo os pássaros levantarem voo no escuro. Meu corpo inteiro congelou. Era Aiden, mas algo estava errado. Mais bruto, mais selvagem. Como se minha fuga o tivesse despertado. O som das árvores sendo sacudidas veio logo depois, como se algo atravessasse a mata sem controle. Meu estômago revirou. Corri sem pensar. Sem estratégia. Apenas desespero. Minhas pernas já falhavam, meu corpo no limite. Mas continuei. Porque agora não era só fuga, era uma corrida contra ele… e contra mim mesma. Celine era apenas uma humana comum até ser lançada no mundo dos lobisomens e cruzar o caminho de Aiden, um Alpha viúvo, perigoso e implacável, que decide que ela lhe pertence. Mas ela não é apenas alvo de um único predador. Celine desperta algo maior — uma disputa silenciosa, onde desejo, posse e poder se misturam em intenções sombrias. Enquanto tenta fugir de um destino que não escolheu, ela descobre que não está apenas sendo caçada… está sendo reivindicada. E no jogo entre obsessão e controle, escapar talvez nunca tenha sido uma opção.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1

POV - CELINE

A trança escapou dos meus dedos pela terceira vez.

Soltei um suspiro baixo, tentando ignorar a sensação estranha que me acompanhava desde que acordei.

Como se algo estivesse… fora do lugar.

Balancei a cabeça, afastando o pensamento, e recomecei a trançar o cabelo com mais firmeza. Quando terminei, peguei o moletom vermelho e o vesti sem pensar duas vezes.

Não combinava com o uniforme da loja.

Nunca combinava...

Mas era a última coisa que minha avó Lia tinha me dado.

E isso bastava.

Por um instante, meus dedos apertaram o tecido.

Dois anos.

Ainda doía.

— Anda logo, Celine — murmurei para mim mesma, pegando a bolsa e saindo de casa.

O ar da manhã estava mais frio do que o normal.

Ou talvez fosse só impressão.

***

A loja ainda estava vazia quando cheguei.

Acendi as luzes, e o silêncio me envolveu por alguns segundos — confortável, familiar. Comecei a organizar os manequins com os looks da semana, ajustando tecidos, alinhando cores, criando combinações.

Era automático.

Seguro.

Ali, tudo fazia sentido.

— Como sempre, você salva essa vitrine. Sorri antes mesmo de me virar.

— Bom dia pra você também, Annabell.

Ela entrou já pegando o celular, tirando fotos, mudando ângulos, completamente no modo “dona da loja”. Diferente de mim, ela parecia sempre ligada em mil coisas ao mesmo tempo.

Viva.

— Isso aqui vai vender rápido — comentou, animada.

— Tomara.

O dia passou como sempre.

Clientes entrando e saindo, conversas rápidas, risadas ocasionais. Por algumas horas, consegui esquecer aquela sensação estranha.

Até que —

Um arrepio percorreu minha nuca.

Parei no meio de uma dobra de roupa.

Olhei ao redor.

Nada.

A loja estava normal.

Mesmo assim… Algo não estava.

— Ei — Annabell chamou, me tirando do transe. — Terra chamando Celine?

Pisquei algumas vezes.

— Desculpa… só me distraí, respondi.

Ela me analisou por um segundo a mais do que o normal.

— Você está estranha hoje.

Forcei um sorriso.

— Estou bem.

Ela não pareceu convencida.

Mas deixou passar.

***

— A gente devia sair hoje — disse ela mais tarde, encostada no balcão. — Sexta-feira, vendas boas… a gente merece.

Pensei em recusar.

Ir para casa.

Me enfiar no silêncio do meu quarto e fingir que aquele incômodo não existia.

Simples assim.

Mas… ficar sozinha sempre fez parte da minha rotina. Talvez fosse bom sair da monotonia, mesmo com meu lado antissocial insistindo em dizer não.

— Tudo bem — respondi. — Eu vou.

O sorriso dela foi imediato.

— Sabia que você não ia resistir — disse ela, dando uma piscadela, toda animada.

***

Quando chegou o final do expediente, fechei a loja e fui em direção ao carro, onde Annabell já me esperava.

Quando me sentei no banco do carona, percebi que ela já estava em outro modo.

Música alta, energia lá em cima, cantando como se estivesse em um show particular.

— Cante comigo! — disse ela, agitada, me cutucando de leve com o cotovelo.

Eu ri baixo, recusando com a cabeça.

— Você devia se soltar mais, sabia? — ela disse, me cutucando.

— Alguém precisa ser responsável aqui — falei, rindo.

— Responsável demais — ela retrucou, fazendo uma careta.

Talvez.

Mas alguém tinha que ser — pensei.

***

Quando o carro parou, meu estômago revirou.

Boate. Luzes fortes. Música alta. Gente demais.

Respirei fundo.

— Não gostou? — Annabell perguntou, já saindo. — Eu sobrevivo — falei, revirando os olhos e rindo.

Ela riu.

— Dramática.

Mas segurou minha mão e me puxou para dentro mesmo assim. O som me atingiu de imediato. Grave. Alto. Quase físico. Ignorei.

Sentei na mesa com ela, tentando me adaptar ao ambiente.

— Hoje você vai beber comigo — disse ela.

— Alguém precisa dirigir depois.

— Estraga prazeres. Ela bufou.

Sorri de lado.

— Alguém tem que ser.

A atendente veio, anotou os pedidos e saiu. Tentei relaxar. Tentei me convencer de que estava tudo bem. Mas então — Aquele arrepio voltou.

Mais forte. Mais nítido. Como se… alguém estivesse me observando. Levantei o olhar, instintivamente. Percorri o ambiente.

Luzes. Pessoas. Movimento.

Nada fora do normal.

E mesmo assim…

Meu coração acelerou.

— Celine?

A voz de Annabell parecia distante.

— O que foi?

Demorei um segundo para responder.

— Nada…

Mas não era verdade.

Algo estava errado.

E, pela primeira vez naquele dia… Eu tive certeza disso.

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