Mundo de ficçãoIniciar sessão— Celine! A voz ecoou pela mata, fazendo os pássaros levantarem voo no escuro. Meu corpo inteiro congelou. Era Aiden, mas algo estava errado. Mais bruto, mais selvagem. Como se minha fuga o tivesse despertado. O som das árvores sendo sacudidas veio logo depois, como se algo atravessasse a mata sem controle. Meu estômago revirou. Corri sem pensar. Sem estratégia. Apenas desespero. Minhas pernas já falhavam, meu corpo no limite. Mas continuei. Porque agora não era só fuga, era uma corrida contra ele… e contra mim mesma. --- Celine era apenas uma humana comum até ser lançada no mundo dos lobisomens e cruzar o caminho de Aiden: um Alfa viúvo, perigoso e implacável, que decide, no primeiro instante, que ela lhe pertence. Mas ela não é apenas alvo de um único predador. Celine mal sabia que sua vida já estava ligada ao mundo das feras, antes mesmo de conhecer Aiden... mal sabia que já era vigiada por outra fera. Sem saber, Celine desperta algo muito maior do que imaginava. Uma disputa silenciosa onde desejo, posse e poder se misturam em intenções sombrias e segredos antigos. Enquanto tenta fugir de um destino que não escolheu, ela descobre a dura verdade: não está apenas sendo caçada… está sendo reivindicada. E no jogo perigoso entre obsessão e controle, escapar talvez nunca tenha sido uma opção. Uma trama intensa sobre amor, segredos de sangue e feras que nunca abrem mão do que é seu.
Ler maisPOV - CELINE
A trança escapou dos meus dedos pela terceira vez. Soltei um suspiro baixo, tentando ignorar a sensação estranha que me acompanhava desde que acordei. Como se algo estivesse… fora do lugar. Balancei a cabeça, afastando o pensamento, e recomecei a trançar o cabelo com mais firmeza. Quando terminei, peguei o moletom vermelho e o vesti sem pensar duas vezes. Não combinava com o uniforme da loja. Nunca combinava... Mas era a última coisa que minha avó Lia tinha me dado. E isso bastava. Por um instante, meus dedos apertaram o tecido. Dois anos. Ainda doía. — Anda logo, Celine — murmurei para mim mesma, pegando a bolsa e saindo de casa. O ar da manhã estava mais frio do que o normal. Ou talvez fosse só impressão. *** A loja ainda estava vazia quando cheguei. Acendi as luzes, e o silêncio me envolveu por alguns segundos — confortável, familiar. Comecei a organizar os manequins com os looks da semana, ajustando tecidos, alinhando cores, criando combinações. Era automático. Seguro. Ali, tudo fazia sentido. — Como sempre, você salva essa vitrine. Sorri antes mesmo de me virar. — Bom dia pra você também, Annabell. Ela entrou já pegando o celular, tirando fotos, mudando ângulos, completamente no modo “dona da loja”. Diferente de mim, ela parecia sempre ligada em mil coisas ao mesmo tempo. Viva. — Isso aqui vai vender rápido — comentou, animada. — Tomara. O dia passou como sempre. Clientes entrando e saindo, conversas rápidas, risadas ocasionais. Por algumas horas, consegui esquecer aquela sensação estranha. Até que — Um arrepio percorreu minha nuca. Parei no meio de uma dobra de roupa. Olhei ao redor. Nada. A loja estava normal. Mesmo assim… Algo não estava. — Ei — Annabell chamou, me tirando do transe. — Terra chamando Celine? Pisquei algumas vezes. — Desculpa… só me distraí, respondi. Ela me analisou por um segundo a mais do que o normal. — Você está estranha hoje. Forcei um sorriso. — Estou bem. Ela não pareceu convencida. Mas deixou passar. *** — A gente devia sair hoje — disse ela mais tarde, encostada no balcão. — Sexta-feira, vendas boas… a gente merece. Pensei em recusar. Ir para casa. Me enfiar no silêncio do meu quarto e fingir que aquele incômodo não existia. Simples assim. Mas… ficar sozinha sempre fez parte da minha rotina. Talvez fosse bom sair da monotonia, mesmo com meu lado antissocial insistindo em dizer não. — Tudo bem — respondi. — Eu vou. O sorriso dela foi imediato. — Sabia que você não ia resistir — disse ela, dando uma piscadela, toda animada. *** Quando chegou o final do expediente, fechei a loja e fui em direção ao carro, onde Annabell já me esperava. Quando me sentei no banco do carona, percebi que ela já estava em outro modo. Música alta, energia lá em cima, cantando como se estivesse em um show particular. — Cante comigo! — disse ela, agitada, me cutucando de leve com o cotovelo. Eu ri baixo, recusando com a cabeça. — Você devia se soltar mais, sabia? — ela disse, me cutucando. — Alguém precisa ser responsável aqui — falei, rindo. — Responsável demais — ela retrucou, fazendo uma careta. Talvez. Mas alguém tinha que ser — pensei. *** Quando o carro parou, meu estômago revirou. Boate. Luzes fortes. Música alta. Gente demais. Respirei fundo. — Não gostou? — Annabell perguntou, já saindo. — Eu sobrevivo — falei, revirando os olhos e rindo. Ela riu. — Dramática. Mas segurou minha mão e me puxou para dentro mesmo assim. O som me atingiu de imediato. Grave. Alto. Quase físico. Ignorei. Sentei na mesa com ela, tentando me adaptar ao ambiente. — Hoje você vai beber comigo — disse ela. — Alguém precisa dirigir depois. — Estraga prazeres. Ela bufou. Sorri de lado. — Alguém tem que ser. A atendente veio, anotou os pedidos e saiu. Tentei relaxar. Tentei me convencer de que estava tudo bem. Mas então — Aquele arrepio voltou. Mais forte. Mais nítido. Como se… alguém estivesse me observando. Levantei o olhar, instintivamente. Percorri o ambiente. Luzes. Pessoas. Movimento. Nada fora do normal. E mesmo assim… Meu coração acelerou. — Celine? A voz de Annabell parecia distante. — O que foi? Demorei um segundo para responder. — Nada… Mas não era verdade. Algo estava errado. E, pela primeira vez naquele dia… Eu tive certeza disso.Na calada da noite… Jasper derrapou com o carro em alta velocidade pela pista escura, os pneus cantando alto no asfalto, deixando marcas profundas que logo seriam apagadas, assim como tudo o que ele tentava deixar para trás. Ele queria descarregar ali, na velocidade, todo o excesso de energia, toda a dor que queimava em seu peito, toda a confusão que ainda corria quente nas suas veias, destruindo tudo por dentro. Ele precisava da velocidade. Precisava do vento gelado batendo forte no rosto, cortando a pele. Precisava sentir o perigo, sentir que estava arriscando a vida… para poder sentir que ainda estava vivo. Porque, por dentro, ele se sentia completamente vazio. Um casca, uma sombra, um homem que tinha tudo, mas que sempre perdia o que realmente importava. “Novamente sozinho.” — Pensou, com a amargura entalada na garganta. Um sorriso melancólico, torto e triste, surgiu nos seus lábios. Um sorriso que não chegava aos seus olhos bicolores, que agora estavam opacos, ca
POV - DESCONHECIDO Jasper retornou à floresta. Olhou para o corpo imóvel de Samantha, mas desviou o olhar. Ele não tinha voltado por causa dela. Tinha voltado para apagar as evidências, para limpar a floresta e retirar qualquer rastro, qualquer cheiro, qualquer marca que ligasse Celine àquele lugar. Suspirou, pesado. Jasper limpou tudo, em silêncio. Sua mente, porém, ainda voltava ao passado: a Caroline, e agora a Celine. Apertou o maxilar, sentindo ainda o gosto amargo de ter aceitado a decisão dela. Ela tinha escolhido, e ele teria que encontrar uma forma de lidar com o resto disso tudo. Carregou o corpo de Samantha até os portões da fortaleza de Teodoro. Os soldados o olharam em choque, depois para o corpo inerte nos seus braços. Ninguém se moveu para desafiá-lo ou confrontá-lo. Ninguém ousou. — Levem ela. E dêem um enterro digno. — Jasper disse, entregando o corpo já sem vida para um dos soldados. Ele saiu em seguida, os passos ecoando pelo corredor vazio. O clã
Jasper me carregou em seus braços fortes, caminhando devagar pela floresta já silenciosa.Ele não disse nenhuma palavra durante o caminho, mas o seu jeito de me segurar — com cuidado e firmeza — dizia tudo. Mesmo que sua roupa e a sua pele estivessem completamente sujas e manchadas com o meu sangue, ele não se importou nem um pouco.Quebrei o silêncio, e minha voz saiu baixa, rouca e fraca, mas cheia de peso e verdade:— Ela matou Annabell... matou Dora... e matou a companheira de Aiden, a Stella... todas as vezes, foi ela.Ele abaixou o rosto para mim, e pela primeira vez desde que me pegou nos braços, ele me olhou de forma intensa. Desviou o olhar e continuou andando, mas finalmente falou:— Samantha correu atrás da própria morte... — Jasper começou, em tom calmo. — Mas me escute com atenção, Celine: o que aconteceu nesta floresta é um segredo nosso. Não deve contar a ninguém que foi você quem a matou.Olhei para ele, confusa. Não assumir a culpa?— Não entendo... — sussurrei.Ele s
Ela caminhou de um lado para o outro entre as árvores, farejando o ar, perdida entre os rastros falsos que eu tinha espalhado. Mas aos poucos, seus passos foram se aproximando.Ela estava chegando perto. Muito perto.Meu coração falhou uma batida, martelando tão forte no peito que eu tinha certeza que ela iria ouvir.Minha respiração travou completamente nos meus pulmões.Era o momento. Se eu não fizesse algo agora, seria o fim.Mas então, de repente, uma voz ecoou ao longe, cortando o silêncio da neblina:— CELINE!Travei no lugar.Eu conhecia essa voz. Não era a voz de Aiden, grave e calma. Era mais áspera, mais forte, carregada de uma urgência que eu reconheceria em qualquer lugar.Jasper.— Merda! — Samantha rosnou, furiosa, virando o rosto na direção de onde o som tinha vindo. — Melhor aparecer agora, sua humana estúpida! Depois eu acabo com esse outro que veio atrás de você.Ela deu um passo na direção da voz, distraída por um segundo, confiante de que poderia resolver tudo depo
Último capítulo