Mundo de ficçãoIniciar sessãoEduardo Falcão nasceu em uma família milionária e, por isso, sempre teve o mundo aos seus pés. Descendente de uma antiga maldição, durante o dia ele é o jovem CEO e herdeiro de um poderoso império no ramo de calçados. Criado na pequena cidade de Vila Formosa, no interior de São Paulo, Eduardo cresceu cercado por luxo, poder e respeito. Apesar do nome simples, a cidade é conhecida por lançar tendências e dominar o mercado da moda em calçados. Mas existe um lado obscuro que ninguém conhece. Nas noites de lua cheia, Eduardo se transforma em um Lycan, herança sombria recebida por parte do seu pai. Preso às tradições cruéis de seu povo, ele carrega uma obrigação impossível: só pode se unir a uma mulher pura, intocada por qualquer outro homem, ou colocará em risco a linhagem e a própria maldição de sua espécie. Tudo muda quando Melissa surge em seu caminho. Doce, inocente e dona de uma beleza irresistível, ela desperta em Eduardo uma paixão intensa, proibida e perigosamente obsessiva. Porém, Melissa carrega marcas de um passado cruel: vítima de um abuso que lhe roubou justamente aquilo que os Lycans consideram essencial para manter suas antigas tradições. Mesmo assim, Eduardo não consegue se afastar. Entre desejo, proteção e segredos enterrados, os dois se envolvem em um romance capaz de desafiar leis ancestrais e despertar a fúria de todo um povo. Mas o que nenhum dos dois imagina é que Melissa guarda dentro de si um segredo ligado diretamente à origem da maldição Lycan. Uma verdade tão poderosa que pode destruir tudo… ou mudar o destino deles para sempre
Ler maisMelissa
A água fria do riacho descia sobre minha pele nua como mil agulhas geladas. Eu tinha acabado de completar dezoito anos, mas meu corpo já carregava marcas que não eram mais de menina. Fechei os olhos e inclinei a cabeça para trás, deixando a luz prateada da lua cheia banhar meus seios. Um calor estranho subia pela pele, ardendo, pulsando, como se a própria lua estivesse me tocando. Não era a primeira vez. E eu não conseguia explicar. Meus lábios se moveram sozinhos, quase sem minha permissão. Uma oração antiga — ou talvez uma melodia — saiu baixa, rouca, em um idioma que minha mãe nunca me ensinou completamente. As palavras vinham sozinhas nas noites de lua cheia. Sempre vinham. “...guia-me, protege-me, desperta em mim o que sempre esteve adormecido...” O vento balançou as folhas. O canto dos grilos pareceu mais alto. E então... Um barulho me despertou do torpor. Era um barulho de galho seco que partiu atrás de mim. Meu coração disparou. Abri os olhos de repente e me virei, cobrindo o corpo com os braços. Peguei o vestido fino que estava pendurado num galho e o vesti às pressas, molhado, grudando na pele. Não esperei para calçar as sandálias. Corri. Corri como uma louca entre as árvores, os pés descalços cortando nas pedras e raízes. O medo apertava minha garganta. Eu sabia quem era. Só podia ser ele. Cheguei à casa ofegante, quase derrubando a porta. — Mãe! Ele está aqui! Valdir nos encontrou! Minha mãe, Clara, estava na cozinha pequena, já pálida. Seus olhos se encheram de pavor no mesmo instante. Ela não perguntou como eu sabia. Apenas agarrou a bolsa já preparada que mantínhamos escondida atrás do armário havia anos. — Pegue só o essencial. Vamos pela mata dos fundos. Agora! Saímos correndo pela porta dos fundos. A noite estava clara demais por causa da lua cheia, o que tornava tudo mais perigoso. Galhos arranhavam nossos braços enquanto corríamos. Eu sentia o coração martelando, o mesmo calor estranho da lua ainda queimando em meu peito, bem onde ficava aquela marca em forma de meia-lua que parecia uma tatuagem perfeita. Tínhamos conseguido viver escondidas por quase cinco anos. Desde que fugimos de casa aos treze anos, depois daquela noite terrível em que Valdir Costa, meu padrasto, descobriu algo sobre minha mãe que o deixou louco de raiva e desejo ao mesmo tempo. Ele era um homem respeitado em nossa antiga cidade no interior de Goiás. Fazendeiro, dono de terras e gado. Quando se casou com minha mãe — eu tinha dez anos —, nossa vida mudou. Saímos da cabana pobre e fomos morar numa casa grande, confortável. Tínhamos comida na mesa, roupas melhores. Mas o preço foi alto demais. Valdir odiava as “coisas estranhas” que minha mãe fazia. As rezas, os chás, as curas que as pessoas da cidade pediam escondido. Chamava ela de bruxa na frente dela, batia nela quando bebia, e proibiu que fizesse qualquer ritual. Principalmente nas noites de lua cheia. E quando eu comecei a ficar mulher, aos treze anos, ele passou a olhar para mim de um jeito sujo que me dava nojo. Naquela última noite, ele tentou... Minha mãe fez algo. Algo forte contra ele. E nós tivemos que fugir. Desde então, vivíamos correndo. Mas Valdir nunca desistiu ele tinha uma verdadeira obsessão por nós duas e pelo o que minha mãe representava. — Mais rápido, Melissa! — minha mãe sussurrou, puxando minha mão. Mas era tarde. Faróis cortaram a escuridão da mata. O ronco de uma caminhonete conhecida. E então a voz dele, grossa e cheia de ódio, ecoou entre as árvores: — CLARA! MELISSA! Vocês acham que podem fugir de mim para sempre?! Ouvi o som de passos pesados correndo atrás de nós. Minha mãe tropeçou. Eu tentei puxá-la, mas mãos brutais agarraram meu braço com força, torcendo-o. — Peguei você, sua vadiazinha — Valdir rosnou no meu ouvido, o bafo quente e fedido de cachaça. — Igual à sua mãe. Duas bruxas da mesma laia. Minha mãe gritou quando ele a acertou. Tentei lutar, arranhar, morder. Mas ele era muito maior. A lua cheia brilhava lá em cima, e por um segundo eu senti algo dentro de mim se agitar com fúria — como se quisesse responder ao chamado. Então veio a dor. Um golpe forte na cabeça. E tudo ficou escuro.EduardoPassei horas com a garota, nem eu nem meu Lycan queriam sair de perto dela, depois que o médico cuidou dela e de seus ferimentos.Mas precisei sair do quarto pra atender uma ligação.Mal havia saído do quarto quando ouvi vozes no corredor. Paula e sua mãe, Eloísa, caminhavam em minha direção. Pelo cheiro, percebi que Paula havia acabado de chegar das compras — ela adorava gastar dinheiro, especialmente quando estava estressada. E, pelo visto, já tinha contado tudo à mãe.— Querido — disse Paula com voz doce ao me ver —, minha mãe quis vir conhecer a pobre moça que você salvou.Eloisa, uma Lycan madura e astuta, me deu um sorriso educado, mas seus olhos brilhavam com curiosidade afiada.— Que gesto nobre, Eduardo. Nem todo alfa faria isso.Eu assenti, tenso, e as levei até o quarto onde Melissa ainda dormia. Assim que entramos, senti o ar mudar. As duas mulheres pararam perto da cama, analisando Melissa como se ela fosse um objeto estranho.Paula se aproximou mais do que eu gos
Melissa A escuridão me puxou novamente.Não era um sonho. Era algo mais profundo. Como se eu estivesse vivendo dentro da dor de outra pessoa — uma dor antiga, imensa, que gelava meus ossos e dilacerava meu peito.Eu caminhava descalça sobre um lago de prata líquida que não afundava. Meu corpo brilhava, pulsando com uma luz que doía. Ao longe, uma sombra enorme uivava, uma fera presa em correntes negras. Senti sua dor misturada à minha, como se fôssemos a mesma coisa. Meu coração se partia lentamente.“Eles nasceram da minha luz… e se tornaram monstros da noite.”A voz ecoava dentro de mim, carregada de tristeza e fúria. Vi um homem de olhos dourados ajoelhado, implorando. Garras rasgavam a terra. Palavras antigas foram ditas — promessas quebradas, sangue misturado, amor transformado em maldição. Lágrimas prateadas caíam, criando novas vidas. Meninas marcadas pela lua. Meninas que carregariam um peso antigo… equilíbrio ou destruição.Florestas densas. Fogueiras. Mulheres cantando em l
EduardoEla estava tremendo no meu colo enquanto eu a carregava até o jipe. Mesmo assustada, seu corpo parecia reconhecer o meu. Cada vez que eu a apertava mais contra o meu corpo, uma corrente quente e dolorosa atravessava meu peito. A conexão era tão forte que chegava a doer — como se uma parte da minha alma estivesse sendo costurada à dela.Coloquei-a com cuidado no banco do passageiro, inclinei o assento e prendi o cinto. Seus olhos estavam semicerrados, lutando contra o cansaço e a fraqueza. Quando dei a partida, ela virou o rosto lentamente na minha direção, como se tentasse entender quem eu era.Dirigi devagar pela estrada de terra, evitando buracos para não sacudi-la. O sol da manhã entrava pela janela, iluminando sua pele pálida. Foi então que notei.Próximo à nuca, logo atrás da orelha, algo brilhava suavemente sob a luz. Afastei com cuidado os fios de cabelo castanho. Lá estava: uma meia-lua crescente perfeita, delicada, quase translúcida. Não era uma tatuagem comum. Pareci
EduardoAbri a porta devagar, tentando não assustá-la. O cheiro dela me atingiu primeiro — doce, lunar, misturado ao meu próprio perfume marcante. Meu corpo inteiro reagiu. A fera dentro de mim ronronou e rosnou ao mesmo tempo.Ela estava acordada.Sentada na cama com dificuldade, o lençol apertado contra o peito. Seus olhos — grandes, castanhos e cheios de pavor — se fixaram em mim no instante em que entrei. Por um segundo, o ar pareceu carregado de eletricidade. Uma conexão forte, quase dolorosa, pulsou entre nós.“Minha Luna.”Ela tentou falar, mas só saiu um sussurro rouco e dolorido. O corte no pescoço ainda estava visível, embora já tivesse fechado muito mais do que deveria para uma humana comum. Minha saliva Lycan estava fazendo efeito.— Não… tente falar — murmurei, mantendo distância. — Seu pescoço ainda está se curando.Ela sacudiu a cabeça com medo, os olhos arregalados. Seu corpo tremia. Mesmo assim, havia algo mais ali. Uma atração confusa, quase relutante. Ela sentia. As
Último capítulo