Antony
O sol brilha alto, aquecendo os campos do rancho, a grama ondulando como um mar verde sob a brisa. Estou sentado numa manta sob um velho carvalho, o cheiro de terra fresca misturado com o aroma doce de maçãs que peguei da cozinha. Carol está ao meu lado, a barriga arredondada esticando a blusa leve, o rosto iluminado por um sorriso que faz meu peito apertar. Não conto a ela, mas as memórias estão voltando, pedaços soltos se encaixando como um quebra-cabeça. A noite em Nova York, o bar lotado, o jeito que ela riu antes de nos perdermos um no outro. Lembro dela, mas finjo que não. Não quero estragar isso, esse começo frágil que estamos construindo. E tem mais: algo no meu acidente não cheira certo. A sela estava frouxa, quase cortada, e ninguém fala sobre isso nem sobre a sabotagem no carro de Brian.
— Tá gostando? — pergunto, apontando pro piquenique, a voz leve, escondendo os pensamentos que giram na minha cabeça.
Carol sorri, mordendo uma maçã, o suco brilhando nos lábios.
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