Antony
O calor do meio-dia aperta enquanto dirijo até a delegacia, o sol brilhando na capota da caminhonete, transformando o metal em um espelho ofuscante. A mentira que contei a Caleb — sobre ir pescar com Gideon e Jackson — pesa na consciência como uma pedra, mas não posso arriscar. Não depois do que Gideon me disse sobre a sabotagem no carro de Brian. “Alguém quis ele morto.” A raiva quando penso nisso me cega; preciso de respostas, preciso saber quem é e enfiar uma bala no meio da testa de quem fez isso.
Estaciono na frente da delegacia, um prédio baixo de tijolos desbotados, a bandeira do Texas tremulando preguiçosamente sob o sol. Dentro, o ar-condicionado é fraco, o cheiro de café velho e papel empoeirado pairando no ar. Gideon está no escritório, os cabelos bagunçados, papéis espalhados na mesa como um quebra-cabeça que ele não consegue montar. Ele levanta os olhos quando entro, o rosto sério.
— Antony — diz, apontando para a cadeira à frente, a voz grave como o ronco de um