Os dias seguintes se arrastaram com uma lentidão cruel. Isabela mal percebia o tempo passar. As horas pareciam diluídas em névoa, enquanto ela tentava se esconder de tudo, dele, principalmente. Passava a maior parte do tempo trancada no quarto ou no ateliê improvisado, pincelando telas em branco com a urgência de quem precisa calar uma voz interna. Tentava pintar qualquer coisa que não tivesse o contorno daquele olhar queimando sua pele. Mas ele estava em tudo: nas cores, nos traços, até no ar