ARTHUR VASCONCELOS
SÃO PAULO – MANSÃO VASCONCELOS
Eu deveria ter morrido.
Essa era a única certeza que pulsava na minha cabeça, num ritmo constante e doloroso, competindo com a enxaqueca cega que o uísque barato — ou caro, eu já não distinguia a diferença — não conseguia apagar.
Olhei para o teto alto do meu quarto, onde as sombras dançavam com a luz fraca que entrava pelas cortinas pesadas e fechadas. Minha perna esquerda latejava, um lembrete metálico e ósseo de que o destino tinha um senso d