85 - Vazio

ARTHUR VASCONCELOS

SÃO PAULO – MANSÃO VASCONCELOS

Eu deveria ter morrido.

Essa era a única certeza que pulsava na minha cabeça, num ritmo constante e doloroso, competindo com a enxaqueca cega que o uísque barato — ou caro, eu já não distinguia a diferença — não conseguia apagar.

Olhei para o teto alto do meu quarto, onde as sombras dançavam com a luz fraca que entrava pelas cortinas pesadas e fechadas. Minha perna esquerda latejava, um lembrete metálico e ósseo de que o destino tinha um senso de humor sádico.

Três semanas em coma. Costelas quebradas, fêmur estilhaçado, traumatismo craniano. O caminhão tinha virado meu carro numa lata de sardinha retorcida a cento e quarenta por hora.

E, ainda assim, eu estava aqui.

O diabo não me quis. E Deus, se é que existe, provavelmente achou que a morte seria um castigo leve demais para um homem como eu. O verdadeiro inferno era continuar respirando no meu mundo onde Camila não estava.

Arrastei-me para fora da cama. O lençol estava úmido de suor
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