86 - Um bebê...
ARTHUR VASCONCELOS
LONDRES – 16 HORAS DEPOIS
A cidade era cinza. Um cinza opressivo e úmido que penetrava nos ossos. Eu odiava Londres.
Odiava a polidez falsa dos britânicos, o trânsito invertido, o clima miserável. Mas agora, aquele lugar parecia a terra prometida.
Desembarquei. Ignorei a dor lancinante na perna após horas sentado no avião.
Aluguei um carro discreto, um sedan preto qualquer, nada que chamasse a atenção. Dirigi até o hotel, joguei a mala no quarto sem nem olhar para a vista, e voltei para o carro.
O endereço que Bruno me deu ficava numa rua tranquila de Kensington. Exatamente o tipo de lugar onde alguém tentaria desaparecer.
Estacionei do outro lado da rua, com uma visão perfeita da porta de entrada do prédio. E esperei.
As horas se arrastaram. A chuva fina de Londres começou a cair, transformando o para-brisa numa tela aquosa que eu limpava obsessivamente com os limpadores intermitentes.
Cada pessoa que entrava ou saía do prédio fazia meu corpo ten