ARTHUR VASCONCELOS
— Onde ela está, Zoe?! — Rugi, minha voz rasgando a garganta, reverberando pelas paredes da sala de estar decorada com tons pastéis ridículos. — Fale!
Zoe recuou um passo, mas manteve o queixo erguido.
— Eu já disse, Arthur — ela respondeu. — Eu não sei.
Avancei sobre ela, ignorando a etiqueta, ignorando a civilidade. Agarrei os ombros dela, e meus dedos afundaram no tecido da blusa de seda.
— Não minta para mim! — chacoalhei-a, o desespero me transformando em um animal. — Ela não tem para onde ir! Ela não tem dinheiro! Ela não tem ninguém além de vocês! Você comprou a passagem? Para onde vocês a mandaram?
Zoe soltou um grito de dor e medo, deixando a xícara cair no tapete, onde se espatifou em cacos e chá quente.
— Me solta! Você está me machucando!
— Eu vou quebrar cada osso do seu corpo se você não me disser onde minha esposa está! — ameacei, e naquele momento, eu falava sério. A moralidade tinha evaporado. Eu queimaria o mundo para trazê-la de vo