(Leandra aos três anos)
Eu não sabia quantos minutos cabiam dentro de um dia, só sabia que o sol gostava de morar no meu jardim naquela manhã.
A grama fazia cócegas nos meus pés, e as flores eram desenhos que Deus tinha deixado para eu pintar com os olhos. Minha boneca ficava sentada ao meu lado, torta, porque eu ainda não conseguia fazer ela sentar direito, mas eu insistia. Ela precisava ver tudo comigo.
— Olha, Lalá! — eu dizia para ela, mostrando um besourinho.
Ele escalava uma folha como se tivesse pressa.
Eu ri. Ele parecia uma bolinha com pernas.
Gostava de falar com a boneca porque ela não respondia, mas eu imaginava que entendia. Às vezes, colocava minha mãozinha por baixo da cabeça dela, como se estivesse segurando alguém vivo.
O vento mexia meus cabelos e o sol deixava tudo quentinho. Era assim que eu sabia que estava segura, mamãe tinha acabado de partir e papai tinha trago uma nova mulher dizendo que ela seria minha nova mãe, mas eu não gostava dela, ela tinha um jeito est