Gael Lubianco
O dia amanheceu cinza, pesado, como se o céu tivesse decidido refletir exatamente o que se passava dentro de mim. Eu estava acordado antes mesmo do despertador tocar, encarando o teto do quarto enquanto Leandra dormia ao meu lado, exausta, o corpo ainda tenso mesmo durante o sono. Uma das mãos dela repousava sobre o travesseiro, a outra sobre o peito, como se precisasse se certificar de que ainda estava respirando.
Aquilo me atingiu de um jeito que nenhuma palavra seria capaz de explicar.
Levantei-me com cuidado para não acordá-la. Caminhei até a janela e afastei levemente a cortina. O jardim estava silencioso, bonito demais para contrastar com o caos que se desenhava fora daqueles muros. Meus filhos dormiam tranquilos nos quartos ao lado, alheios ao fato de que alguém tinha tentado, mais de uma vez, destruir tudo aquilo.
E eu não ia permitir uma terceira tentativa.
Ainda estava parado ali quando o celular vibrou na minha mão. O nome de Murilo apareceu na tela, e eu soub