Quinze anos depois
Às vezes eu paro no meio do corredor, respiro fundo e deixo esse número ecoar dentro de mim. Quinze anos desde que tudo aquilo que um dia pareceu impossível se transformou exatamente nisso: vida. Cheia, barulhenta, caótica, imperfeita… e absolutamente minha.
A casa estava em festa.
Balões coloridos ocupavam cada canto da sala, o cheiro de bolo recém-assado se espalhava pelo ar e as risadas ecoavam como se quisessem ultrapassar as paredes. Era aniversário dos gêmeos. Mais um. E, ainda assim, parecia sempre o primeiro.
— Para de mexer nas minhas coisas, Bruno! — Breno gritou do pé da escada, segurando o chapéu de aniversário como se fosse um troféu.
— Suas coisas? — Bruno respondeu, indignado. — Tudo aqui é nosso! Até porque você nasceu depois de mim por dois minutos!
Revirei os olhos, rindo sozinha, enquanto ajeitava a bolsa no braço.
Dois minutos.
Quinze anos depois, eles ainda discutiam por isso.
Bruno e Breno eram idênticos no rosto, mas completam