Acordar naquela madrugada foi como emergir debaixo d’água. O corpo sobressaltou antes mesmo dos olhos se abrirem, e por um segundo pareceu que ainda estava presa naquele quarto sem luz, sem som, sem ninguém.
A garganta ardia como se tivesse chorado a noite inteira. Não havia lembrança do momento exato em que o sono chegou, apenas da forma como voltou: coração acelerado, ar faltando, travesseiro úmido sob o rosto.
A palma da mão percorreu o rosto devagar, como quem recolhe provas de um crime emo