Rafaelly Pacheco
Eu sempre achei curioso como um dia podia começar perfeitamente normal café forte, batom impecável, agenda cheia e numa fração de segundos se desmanchar como areia entre os dedos. O plano parecia simples, quase infantil de tão bem alinhado: uma mensagem no momento certo, uma provocação ali, um ruído emocional aqui. Eu conhecia Gael. Conhecia as feridas dele, os gatilhos, o orgulho. Bastava soprar na direção certa e ele ruía.
Mas Leandra…
Ah, Leandra era mais resistente do que eu esperava.
Eu estava sentada na varanda do apartamento, pernas cruzadas sobre a chaise, encarando a vista da cidade enquanto o telefone vibrava entre meus dedos. Respirei fundo antes de apertar o botão de chamada. Minha mãe atenderia no primeiro toque sempre atendia. Ela vivia esperando minhas atualizações como quem aguarda um relatório de guerra.
— Filha? — a voz dela soou firme, ansiosa.
Inclinei a cabeça e olhei para minhas unhas recém-feitas. Sorri sem humor.
— O primeiro plano não deu cer