Gael Lubianco
O escritório estava silencioso demais naquela tarde.
Era um daqueles silêncios caros, planejados, construídos para transmitir poder e controle. As paredes de vidro, a mesa impecavelmente organizada, a vista da cidade aos meus pés. Durante anos, aquele ambiente tinha sido meu refúgio e minha fortaleza. Ali, eu decidia destinos, fechava acordos milionários, desmontava concorrentes com a mesma frieza com que alguns escolhem o que vão jantar.
Mas naquele dia, nada daquilo importava.
Eu estava sentado atrás da mesa quando Murilo entrou sem o sorriso habitual, sem a postura leve de sempre. Havia algo diferente no jeito como ele segurava a pasta preta contra o peito. Algo pesado. Algo definitivo.
— Chegou — ele disse apenas.
Não perguntou se eu estava pronto. Não precisava. Aquilo já tinha passado do ponto do “quando”. Era só o “agora”.
— Pode deixar — respondi, estendendo a mão.
Murilo colocou a pasta sobre a mesa, com cuidado excessivo, como se temesse que o conteúdo explodis