Leandra Felix
A sala estava tomada por um caos bom.
Brinquedos espalhados pelo tapete, carrinhos fazendo pistas imaginárias entre as almofadas do sofá, risadas altas demais para qualquer tentativa de ordem. Estava sentada no chão, de pernas cruzadas, com uma peça de montar na mão enquanto os meninos discutiam seriamente qual deles tinha construído a torre mais alta mesmo que nenhuma delas passasse da altura do meu joelho.
— Não vale, você roubou minha peça! — Bruno reclamou, indignado.
— Não roubei, estava aqui no chão! — Breno respondeu, já se defendendo como se estivesse em um tribunal.
— Estava no MEU chão! — o outro rebateu, apontando para um espaço imaginário que claramente não tinha dono.
— Gente, o chão é da casa inteira — falei, tentando manter alguma lógica naquela discussão completamente infantil. — Ele não escolhe lado.
Eles me olharam por dois segundos, processando.
— Mas escolhe sim — Bruno concluiu. — O chão gosta mais de mim.
Revirei os olhos, rindo.
— Claro que gosta —