Leandra Felix
A tarde estava tranquila demais para ser real.
Eu estava sentada no tapete da sala, cercada por brinquedos espalhados, enquanto os meninos disputavam atenção, cada um falando ao mesmo tempo, inventando histórias mirabolantes que só faziam sentido na cabeça deles. O sol entrava pelas janelas grandes, deixando a casa com aquele tom dourado que sempre me dava a falsa sensação de que tudo estava exatamente onde deveria estar.
Eu ria. Respondia. Brincava.
Tentava ignorar o peso crescente na lombar que vinha me acompanhando desde a manhã.
— Olha, mamãe! — um deles chamou, erguendo um carrinho como se fosse um troféu. — Ele voa agora!
— Claro que voa — respondi, sorrindo. — Aqui nessa casa, tudo pode voar.
Eles comemoraram como se eu tivesse validado a maior invenção da história.
Foi quando senti.
Não foi uma dor forte de imediato. Foi mais como uma pressão diferente, um aperto interno que me fez prender a respiração por um segundo. Levei a mão à barriga de forma instintiva, te