Lorenzo Lubianco
A primeira coisa que eu senti foi o frio.
Não o frio do vento ou da noite aquele eu já conhecia, mas um frio interno, denso, como se tivesse se instalado nos ossos e decidido ficar. Depois veio o som. Um bip ritmado, insistente, irritante. Demorei a entender que aquele som estava ligado a mim. Que marcava algo dentro do meu corpo funcionando por pura teimosia.
Abri os olhos com dificuldade.
A luz era branca demais. Cruel demais para quem passou dias aprendendo a viver no escuro. Pisquei várias vezes até as formas começarem a fazer sentido: teto, paredes claras, um cheiro forte de desinfetante. Hospital.
Hospital.
A palavra atravessou minha mente como um aviso tardio.
Tentei me mexer e o corpo respondeu com uma dor generalizada, difusa, impossível de localizar com precisão. Não era um ponto específico. Era tudo. Como se cada parte de mim tivesse sido lembrada, uma a uma, de que ainda existia.
Um gemido escapou da minha garganta antes que eu pudesse impedir.
— Ele acord