Leandra Felix
O relógio já marcava meio-dia quando finalmente consegui me levantar.
O corpo parecia pesar o dobro do normal. Os pés inchados reclamavam a cada passo, e precisei de alguns segundos sentada na beira da cama antes de reunir forças para ficar de pé. Respirei fundo, toquei a barriga de forma instintiva e murmurei um pedido silencioso para que as meninas colaborassem naquele dia.
Depois de me arrumar com calma — bem mais devagar do que eu costumava fazer antes da gravidez —, segui em direção à escada. Não cheguei nem à metade quando ouvi gargalhadas altas, infantis, misturadas a uma voz feminina muito familiar.
A voz de Charlotte.
Franzi o cenho, surpresa, enquanto descia os últimos degraus com cuidado. O riso dela ecoava pela sala com a mesma intensidade de sempre, como se aquela casa também fosse dela — e, de certa forma, sempre foi.
— Oi, minha querida! Como está? — minha sogra perguntou assim que me viu, abrindo os braços num gesto exagerado e carinhoso ao mesmo tempo.
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