Gael Lubianco
O café da manhã sempre foi um caos organizado aqui em casa.
Pratos batendo, copos quase caindo, risadas altas demais para o horário, Breno contando alguma história que começava no meio e terminava em lugar nenhum, Bruno fazendo perguntas que exigiam respostas filosóficas antes das oito da manhã. Era barulho, era movimento, era vida.
E eu amava cada segundo daquilo.
Mas, naquela manhã, algo estava… fora do lugar.
Percebi no instante em que me sentei à mesa.
Leandra estava ali, fisicamente presente, servindo o café, sorrindo para os meninos, respondendo às perguntas deles com paciência. Qualquer pessoa que olhasse de fora diria que estava tudo normal. Que ela estava bem.
Eu sabia que não.
Havia um tipo específico de distância que só quem ama de verdade consegue enxergar. Um olhar que vai além do que está sendo dito, uma pausa mínima entre uma palavra e outra, um sorriso que não chega completamente aos olhos.
Leandra estava ali.
Mas parte dela não estava.
Enquanto Bruno exp