O cheiro de café fresco já tomava conta da cozinha quando senti os braços fortes se fecharem ao redor do meu corpo por trás. Não precisei me virar para saber quem era. Não precisei ouvir a respiração conhecida, nem o som leve do passo que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo.
Sorri automaticamente.
Era Gael.
Ele encaixou o corpo no meu, o queixo apoiado de leve no meu ombro, e por um instante tudo ficou silencioso dentro de mim. Como se aquele simples gesto tivesse o poder de reorganizar o caos que às vezes insistia em morar na minha cabeça.
— Bom dia… — a voz dele saiu rouca, ainda carregada de sono.
— Bom dia — respondi, sentindo o sorriso se ampliar sem que eu pudesse evitar.
As mãos dele deslizaram até minha barriga, grandes, quentes, protetoras. Ele espalhou os dedos com cuidado, como se estivesse tocando algo sagrado — e talvez estivesse mesmo.
— Bom dia, minhas princesas — murmurou, inclinando-se um pouco mais para frente. — Dormiram bem?
Engoli em seco, sentindo uma pont