Leandra Felix
A casa ainda carregava o eco do café da manhã quando o silêncio começou a se reorganizar entre os cômodos, daquele jeito confortável que só existe quando o barulho anterior foi de riso, não de tensão. Os meninos tinham descido do cadeirão, as migalhas de pão ainda estavam espalhadas pela mesa, o cheiro de café permanecia no ar, e, por alguns segundos, fiquei parada na cozinha apenas respirando fundo, tentando guardar aquela sensação dentro de mim.
Era paz.
Uma paz frágil, eu sabia, mas ainda assim real.
Encostei a mão na barriga quase por reflexo, sentindo o peso suave e constante das meninas ali dentro. Era impossível ignorar o quanto minha vida havia mudado, e, ao mesmo tempo, o quanto eu ainda precisava me lembrar de viver o agora.
Gael estava recostado no balcão, observando os meninos se afastarem pelo corredor, discutindo qualquer coisa que só fazia sentido na cabeça deles. Ele parecia mais calmo do que o habitual, menos preso ao celular, menos tenso com horários e